Logo da Rede D'Or São Luiz Rede D'Or São Luiz · Inteli · 08:30 – 13:00
Sistemas Multiagentes

Arquitetura e Base de Conhecimento do Agente

Como decompor um processo corporativo em agentes especializados, definir o que cada um pode fazer, orquestrar a execução do conjunto e construir a base de conhecimento que os alimenta.

Horário
08:30 – 13:00
Estrutura
Welcome coffee e quatro blocos
Condução
Prof. Afonso Brandão · Inteli
Abertura · 09:00

Os treze projetos desta turma

Diagnóstico respondido pelos participantes entre 20 e 25 de agosto de 2026.

13
projetos em curso, um por participante
7 · 5 · 1
Operações Hospitalares · Recebíveis · ambos os temas
10
já em implementação, piloto ou acompanhamento
3,9 / 5
média da autoavaliação de andamento

Estágio declarado do projeto

Implementado, em acompanhamento4
Em implementação4
Teste e piloto2
Construção da solução2
Desenho da solução1

Uso de IA no projeto hoje

Uso frequente5
Uso eventual7
Ainda não utiliza1
Copilot · 11 Power Automate · 6 Assistentes de conversa · 11 Construção assistida · 5
Ferramentas citadas nas respostas, em número de participantes
Consequência para esta exposição: sete participantes declaram oportunidade alta, com caso de uso definido, e seis declaram oportunidade média. Nenhum projeto está na partida: a decisão em pauta é onde inserir um agente em fluxo que já opera.
Abertura · 09:03

Onde os projetos travam hoje

Cada participante apontou até três dificuldades principais; a contagem soma as menções das treze respostas.

Dificuldade apontada · menções em 13 respostas

Qualidade e estrutura dos dados8
Dependência de tecnologia e sistemas6
Dependência de outras áreas6
Complexidade do processo5
Engajamento das pessoas envolvidas4
Sete respostas citam falta de conhecimento técnico e três, não saber estruturar a solução

Onde cada dificuldade é tratada

  • Dados — o que o dado precisa ter para servir de evidência citável, no Bloco 4.
  • Complexidade do processo — decomposição em etapas com critério de aceite e escolha de topologia, no Bloco 1.
  • Dependência de outras áreas — contrato de mensagem e aceite do handoff, no Bloco 2: a fronteira entre áreas é onde a tarefa é aceita ou devolvida com motivo.
  • Dependência de sistemas — roteamento que encerra o caso quando a evidência necessária não está acessível, no Bloco 3.
  • Engajamento — resultado parcial declarado e decisão que permanece com a pessoa responsável, nos Blocos 2 e 3.
Agenda

Quatro blocos, das nove à uma

Cada bloco estabelece um critério de decisão e reserva os minutos finais para você aplicá-lo ao projeto que declarou no diagnóstico.

08:30 – 09:00
Welcome coffeeRecepção dos participantes.
30 min
09:00 – 10:00
Bloco 1 — Decomposição de problemas e arquiteturas multiagentesRetrato dos projetos, limite do agente único, critério de transição, quatro topologias, gargalos e divisão modular. Aplicação a partir de 09:40.
60 min
10:00 – 11:00
Bloco 2 — Especialização de papéis e comunicação inter-agentesPersonas restritas, contrato de mensagem, memória e contexto, aceite do handoff e contenção de loops. Aplicação a partir de 10:35.
60 min
11:00 – 11:15
IntervaloQuinze minutos.
15 min
11:15 – 12:00
Bloco 3 — Roteamento inteligente e orquestração de fluxos agênticosLógica do orquestrador, saídas parciais, arbitragem, falha e retomada, tempo e custo. Aplicação a partir de 11:43.
45 min
12:00 – 13:00
Bloco 4 — Arquitetura e base de conhecimento do agenteEstado do dado, fontes e curadoria, ingestão e recuperação, citação e rastreabilidade, atualização e dono. Inventário da própria base a partir de 12:35.
60 min
Abertura · 09:06

Onde o agente único para de melhorar

A causa está no acúmulo de responsabilidades sobre um único ponto de decisão.

Instrução

O prompt cresce para cobrir todos os casos. Regras novas passam a contradizer regras antigas, e o comportamento fica sensível à ordem em que as instruções aparecem.

Contexto

Todo o histórico compete pelo mesmo espaço: dados de entrada, resultados intermediários e regras de negócio. O que importa para a etapa atual fica diluído.

Responsabilidade

Quando a saída está errada, não há etapa a que atribuir a falha. Sem fronteira entre tarefas, não existe ponto de verificação — só o resultado final.

Bloco 1 · 09:00 – 10:00

Decomposição de Problemas e Arquiteturas Multiagentes

Fragmentar um desafio corporativo em subprocessos especializados e atribuir responsabilidades a agentes que trabalham em rede.

Horário
Exposição até 09:40 · aplicação até 10:00
Ao final
Escopo do projeto dividido em tarefas modulares
Bloco 1 · Critério de decisão · 09:10

Quando transicionar de single-agent para multi-agent

A divisão tem custo: mais chamadas, mais latência, mais superfície de erro. Ela se justifica quando pelo menos um destes sinais aparece.

Divida quando
  • A tarefa exige competências distintas — buscar em norma, calcular, redigir, conferir — com critérios de qualidade próprios.
  • As etapas precisam de ferramentas ou permissões diferentes, e conceder tudo a um agente violaria o menor privilégio.
  • Alguma etapa precisa ser verificada por um terceiro antes de seguir adiante.
  • Partes do fluxo são independentes e podem executar em paralelo.
  • Uma etapa falha com frequência e precisa de repetição própria, sem reprocessar o resto.
Não divida quando
  • O que falta é instrução clara ou um exemplo bem escolhido — dividir não corrige requisito ambíguo.
  • As etapas compartilham quase todo o contexto, e o handoff só recopia informação.
  • A divisão existe para organizar o código, não para separar decisões.
  • O ganho de qualidade não paga a latência acumulada de várias chamadas em série.
  • Não há critério objetivo para dizer que a etapa terminou bem.
Teste de uma frase: enquanto o critério de aceite da etapa não puder ser escrito, ela permanece um trecho de instrução dentro de outro agente.
Bloco 1 · Modelos de arquitetura

Quatro topologias e o que cada uma resolve

A topologia decide quem fala com quem, e com isso decide onde é possível verificar e onde a falha se propaga.

1
Sequencial
  • Etapas em ordem fixa, saída de uma é entrada da seguinte.
  • Adequada a processo estável e conhecido.
  • Verificação simples: um ponto de aceite por etapa.
  • Limite: a etapa mais lenta define o tempo total.
2
Hierárquica
  • Um orquestrador decide quem atua e consolida o resultado.
  • Adequada quando o caminho depende da entrada.
  • Responsabilidade concentrada e auditável.
  • Limite: o orquestrador é o gargalo e o ponto único de falha.
3
Colaborativa
  • Agentes trabalham sobre um estado compartilhado.
  • Adequada a problemas abertos, com revisão mútua.
  • Ganho de qualidade por confronto de versões.
  • Limite: propensa a loop e a divergência sem árbitro.
4
Rede
  • Cada agente chama diretamente quem precisa.
  • Adequada a domínios amplos e pouco previsíveis.
  • Escala sem passar tudo por um centro.
  • Limite: caminho de execução difícil de reconstruir depois.
Regra de escolha: comece pela topologia mais restrita que resolve o caso. Sequencial quando a ordem é conhecida; hierárquica quando a ordem depende da entrada; colaborativa e rede apenas quando a revisão mútua ou a amplitude do domínio exigirem — são as que mais custam para auditar.
Bloco 1 · Diagnóstico

Mapeamento de gargalos em fluxos complexos

O agente entra onde o processo hoje espera, retrabalha ou depende de uma pessoa para interpretar. Percorra o fluxo real antes de desenhar a arquitetura.

1

Levante as etapas como elas ocorrem

Entrada, decisão e saída de cada etapa, com quem executa e em que sistema. O fluxo documentado e o fluxo praticado divergem; o levantamento registra o praticado.

2

Meça espera, retrabalho e volume

Tempo em fila, proporção de casos que voltam para correção e quantidade de casos por dia. Sem essas três medidas não há como priorizar.

3

Classifique a natureza da etapa

Regra determinística, julgamento sobre texto ou consulta a várias fontes. A primeira não precisa de agente; as outras duas são candidatas.

4

Verifique a evidência disponível

Uma etapa só é automatizável se o dado necessário existir em forma consultável e se houver como conferir o resultado.

Bloco 1 · Divisão do escopo

Divisão do escopo em tarefas modulares

Uma tarefa é modular quando pode ser executada, verificada e substituída sem alterar as vizinhas.

Etapa 1

Coletar

Reúne os documentos do caso e registra a origem de cada um.

→
Etapa 2

Extrair

Converte o texto em campos estruturados, com a citação de onde cada campo saiu.

→
Etapa 3

Confrontar

Compara os campos com a regra aplicável e aponta as divergências.

→
Etapa 4

Redigir

Produz o parecer com a divergência, a evidência e a regra citada.

O que torna modular

  • Entrada e saída declaradas em formato fixo.
  • Critério de aceite verificável por terceiro.
  • Nenhuma dependência de estado interno da etapa anterior.

O que testar por etapa

  • Casos típicos, casos de borda e caso sem resposta possível.
  • Comportamento quando a entrada vem incompleta.
  • Estabilidade da saída entre execuções repetidas.

Sinal de divisão errada

  • A etapa precisa reler tudo o que a anterior já leu.
  • Duas etapas alteram o mesmo campo.
  • A verificação de uma etapa só é possível ao final do fluxo.
Bloco 1 · Exemplo trabalhado

Da conta hospitalar a quatro etapas verificáveis

O caso de auditoria declarado nesta turma, decomposto pelos critérios das telas anteriores.

Etapa 1

Reunir a evidência

Localiza prontuário, tabela contratual e protocolo do caso, e entrega os três com o endereço de origem.

→
Etapa 2

Extrair os itens

Converte a conta em lista de itens cobrados, com código, quantidade e valor unitário.

→
Etapa 3

Confrontar com a regra

Compara cada item com a tabela contratual e com o registro clínico correspondente.

→
Etapa 4

Redigir a conclusão

Consolida a proposta de glosa e o texto que a justifica, item a item.

Critério de aceite de cada etapa

  • 1 — os três documentos presentes, ou o motivo da ausência declarado.
  • 2 — a soma dos itens extraídos igual ao total da conta.
  • 3 — todo item classificado como devido, indevido ou inconclusivo, com a cláusula citada.
  • 4 — cada valor proposto remete a um item já classificado.
Bloco 1 · Aplicação · 09:40 – 09:55

Decomponha o processo do seu projeto

Quinze minutos sobre o caso que você declarou no diagnóstico, com o roteiro impresso na mesa.

1

Escreva o fluxo como ele ocorre hoje · 5 min

Entrada, decisão e saída de cada etapa, com quem executa e em que sistema. Registre o praticado, não o documentado.

2

Meça espera, retrabalho e volume · 3 min

Tempo em fila, proporção de casos que voltam e casos por dia. Estimativa declarada como estimativa já serve.

3

Classifique cada etapa · 4 min

Regra determinística, julgamento sobre texto ou consulta a várias fontes. A primeira não precisa de agente.

4

Escolha a topologia e marque a primeira etapa · 3 min

A mais restrita que resolve o caso, com a razão da escolha em uma linha.

09:55 · Devolutiva. Duas ou três apresentações em voz alta, de dois minutos cada: a etapa escolhida e a frase do critério de aceite. O critério que não couber em uma frase indica etapa ainda mal delimitada.
Bloco 2 · 10:00 – 11:00

Especialização de Papéis e Comunicação Inter-Agentes

Definir perfis específicos para cada agente e estruturar os protocolos de troca de dados entre eles.

Horário
Exposição até 10:35 · aplicação até 11:00
Ao final
Contrato de mensagem e critério de aceite do handoff
Bloco 2 · Papéis · 10:00

Personas com responsabilidade restrita

Um papel se define pelo que o agente entrega, pelas ferramentas que alcança e, sobretudo, pelo que lhe é vedado.

P
Pesquisador
  • Entrega: trechos pertinentes com a fonte e a localização.
  • Alcança: busca na base de conhecimento e nos repositórios.
  • Vedado: concluir, recomendar ou escrever o parecer.
A
Analista
  • Entrega: a conclusão derivada dos trechos recebidos.
  • Alcança: cálculo e consulta às regras aplicáveis.
  • Vedado: buscar evidência nova para sustentar a conclusão.
R
Revisor
  • Entrega: aprovação ou lista de correções exigidas.
  • Alcança: a saída do analista e o critério de aceite.
  • Vedado: reescrever a análise em vez de devolvê-la.
Au
Auditor
  • Entrega: registro do que foi decidido, por quem e com que evidência.
  • Alcança: o histórico completo da execução.
  • Vedado: alterar qualquer resultado.
Por que a restrição importa: um agente que pode buscar evidência e concluir ao mesmo tempo tende a procurar o que confirma a conclusão já formada. Separar quem levanta de quem conclui preserva a verificação. Quando há dado pessoal ou clínico envolvido, a mesma separação mantém cada agente no menor privilégio necessário.
Bloco 2 · Protocolo

Formato de dados para troca entre agentes

Texto livre entre agentes transfere ambiguidade. Um contrato explícito permite validar a mensagem antes de processá-la.

Campos mínimos

  • Emissor e destinatário — o papel, não o modelo.
  • Tarefa e caso — identificam o que fazer e sobre o quê.
  • Carga — os dados, em estrutura fixa.
  • Evidência — origem de cada afirmação.
  • Confiança e pendências — o que ficou incerto.
  • Rastro — etapas já percorridas e tentativas.
Validação na borda: a mensagem é conferida contra o esquema na entrada do agente. Mensagem inválida volta ao emissor com o motivo, e não entra na execução.
// contrato de mensagem — pesquisador → analista
{
  "emissor": "pesquisador",
  "destinatario": "analista",
  "tarefa": "confrontar_item_com_regra",
  "caso_id": "2026-0917-4471",
  "carga": {
    "item": "material de síntese X",
    "quantidade_cobrada": 4,
    "regra_aplicavel": "tabela contratual §12.3"
  },
  "evidencia": [
    { "fonte": "prontuario/2026-0917", "local": "p. 14" },
    { "fonte": "contrato/2025-v3",      "local": "§12.3" }
  ],
  "confianca": 0.82,
  "pendencias": ["protocolo clínico não localizado"],
  "rastro": { "etapa": 2, "tentativa": 1 }
}
Bloco 2 · Memória

O que cada agente lembra, e o que não atravessa a fronteira

Passar todo o histórico adiante reintroduz, entre agentes, o problema de contexto que a divisão veio resolver.

Tipo O que guarda Quem alcança Consequência de não separar
Do caso Identificador, entradas e decisões já tomadas neste atendimento. Todos os agentes da execução, em leitura. Sem ele, a etapa seguinte repete a pergunta que já foi respondida.
Da tarefa Rascunhos e passos intermediários da etapa corrente. Apenas o agente que a executa. Vazando adiante, o raciocínio descartado volta como se fosse conclusão.
De conhecimento Norma, contrato, procedimento e histórico de decisão. Recuperação por endereço, filtrada por papel. Copiada para o contexto por inteiro, dilui o que a etapa exige.
De registro O que cada agente recebeu, devolveu e em quanto tempo. Fora da execução: auditoria e revisão. Sem ele, a falha é constatada e não é atribuída a etapa alguma.
Regra de fronteira: o handoff carrega o resultado e a evidência que o sustenta, não a conversa que o produziu. Quando a etapa seguinte precisa do histórico inteiro para decidir, a divisão entre as duas foi feita no lugar errado.
Bloco 2 · Handoff

Critérios de aceite para passar a tarefa adiante

O handoff é a fronteira onde a qualidade pode ser medida. Sem critério declarado, o erro de uma etapa vira premissa da seguinte.

Handoff Aceita quando Devolve quando Verificação
Coletor → Pesquisador Todos os documentos exigidos pelo tipo de caso estão presentes e legíveis. Falta documento obrigatório ou a origem não é identificável. Lista de documentos por tipo de caso.
Pesquisador → Analista Cada trecho traz fonte e localização, e cobre a pergunta feita. Há afirmação sem fonte ou a pergunta ficou sem cobertura. Toda afirmação tem evidência associada.
Analista → Revisor A conclusão cita a regra e os trechos que a sustentam. A conclusão extrapola a evidência recebida. Conclusão derivável apenas do que foi entregue.
Revisor → Saída As correções foram aplicadas e o parecer está completo. Persiste divergência entre analista e revisor. Segunda leitura sobre o critério de aceite.
Assimetria útil: aceitar é decisão do destinatário. O agente que recebe verifica o critério e devolve a tarefa com o motivo registrado.
Bloco 2 · Contenção

Loops infinitos e desalinhamento de execução

Dois agentes que se corrigem mutuamente sem critério de parada consomem orçamento sem convergir.

Causas frequentes

  • Critério de aceite ausente — o revisor sempre encontra o que corrigir, porque nada define o suficiente.
  • Ida e volta simétrica — nenhum dos dois lados tem autoridade para encerrar.
  • Objetivo reinterpretado — cada passagem reescreve a tarefa e o alvo se desloca.
  • Pendência circular — cada agente aguarda um dado que o outro só produz depois.

Defesas de desenho

  • Limite explícito de iterações por par de agentes, com destino definido ao ser atingido.
  • Escalonamento obrigatório — no limite, a decisão sai do par e vai ao orquestrador ou à pessoa responsável.
  • Objetivo imutável registrado na abertura do caso, fora do alcance dos agentes intermediários.
  • Progresso verificável — se a iteração não reduz a lista de pendências, ela não conta como avanço.
  • Orçamento por caso em tempo e em chamadas, encerrando a execução com resultado parcial declarado.
Bloco 2 · Aplicação · 10:35 – 10:55

Declare os papéis e o contrato entre eles

Vinte minutos sobre a decomposição que você escreveu no bloco anterior.

1

Nomeie de três a cinco papéis · 5 min

Um por etapa da sua decomposição. Duas etapas com critérios de qualidade distintos exigem dois papéis separados.

2

Escreva a ficha de cada papel · 7 min

O que entrega, que fontes e ferramentas alcança e o que lhe é vedado. O vedado é a parte que costuma faltar.

3

Especifique o contrato entre dois papéis vizinhos · 5 min

Campos obrigatórios, tipo de cada um e o campo que carrega a evidência. Escreva um exemplo preenchido.

4

Defina o aceite e a devolução · 3 min

Que condição faz a tarefa ser aceita, e para onde ela volta, com que motivo, quando não for.

10:55 · Devolutiva. Duas ou três leituras em voz alta do campo que carrega a evidência: é por ele que a área seguinte aceita ou devolve a tarefa, e é onde a dependência entre áreas deixa de ser negociada caso a caso.
Intervalo · 11:00 – 11:15

Quinze minutos

Ao voltar, o roteiro do Bloco 3 parte da decomposição do Bloco 1 e dos papéis do Bloco 2: tenha as duas folhas à mão.

Retomada
11:15 · Roteamento e orquestração
Bloco 3 · 11:15 – 12:00

Roteamento Inteligente e Orquestração de Fluxos Agênticos

Ensinar o agente orquestrador a decidir dinamicamente qual agente acionar em cada etapa, avaliando o que já foi produzido.

Horário
Exposição até 11:43 · aplicação até 12:00
Ao final
Política de roteamento, arbitragem e orçamento
Bloco 3 · Router / Manager · 11:15

A lógica do agente orquestrador

O orquestrador deriva o próximo passo do estado do caso; a sequência de etapas permanece indefinida até a decisão de roteamento.

1

Lê o estado corrente do caso

O que já foi apurado, o que está pendente e quais tentativas falharam. O estado é a entrada da decisão de roteamento.

2

Classifica o caso antes de rotear

Tipo, complexidade e criticidade determinam o caminho. Caso simples e frequente segue rota curta; caso crítico exige revisão e auditoria.

3

Escolhe pela pendência declarada

A pendência aponta o papel: falta evidência chama o pesquisador; falta conclusão chama o analista; conclusão sem verificação chama o revisor.

4

Registra a decisão e o motivo

Sem o registro do motivo, o comportamento do sistema não é reconstruível, e a falha de roteamento não é corrigível.

Bloco 3 · Qualidade

Avaliação de desempenho e das saídas parciais

Medir apenas o resultado final impede localizar a etapa responsável. Cada handoff é uma oportunidade de medição.

Por etapa

  • Proporção de saídas aceitas na primeira tentativa.
  • Afirmações sem evidência associada.
  • Iterações consumidas até o aceite.
  • Tempo e custo por execução.

Por fluxo

  • Casos concluídos sem intervenção humana.
  • Casos encerrados como parcial declarado.
  • Divergência entre parecer do sistema e decisão final da pessoa.
  • Custo por caso concluído.

Como verificar

  • Conjunto fixo de casos com resposta conhecida, executado a cada alteração.
  • Amostra revisada por especialista, em intervalo regular.
  • Comparação entre versões do prompt de cada papel.
Condição de partida: um conjunto de casos com resposta conhecida precisa existir antes do primeiro agente entrar em operação. Sem ele, qualquer alteração posterior no sistema é uma aposta sem medição.
Bloco 3 · Arbitragem

Tratamento de conflitos e divergências

Dois agentes competentes podem chegar a conclusões opostas sobre o mesmo caso. A arbitragem precisa ser decidida no desenho, não durante a execução.

Origens da divergência

  • Evidência distinta — cada agente consultou uma fonte diferente. Resolve-se ampliando a evidência, não votando.
  • Regra ambígua — a norma admite duas leituras. Resolve-se com decisão humana registrada, que passa a integrar a base de conhecimento.
  • Critério distinto — os agentes otimizam objetivos diferentes. Resolve-se declarando a precedência entre objetivos.
  • Erro de uma das partes — resolve-se pela conferência da evidência citada.

Mecanismos de resolução

  • Precedência declarada — em conflito entre conformidade e custo, a conformidade prevalece por definição do desenho.
  • Terceiro árbitro com acesso à evidência de ambos e autoridade para encerrar.
  • Encaminhamento humano obrigatório acima de um limite de valor ou de criticidade clínica.
  • Registro do conflito — divergência recorrente indica regra ambígua a corrigir na origem.
Bloco 3 · Falha

O que acontece quando uma etapa cai no meio do caso

A política de retomada é parte do desenho do roteamento, e não um ajuste posterior de operação.

Repetição segura

Repetir uma etapa só é seguro quando executá-la duas vezes produz o mesmo efeito que executá-la uma. A etapa que apenas lê e conclui satisfaz a condição; a que grava, envia ou aprova, não.

  • Identifique o caso por chave estável, e registre o que já foi concluído sob essa chave.
  • Marque as etapas com efeito externo: elas exigem confirmação antes de repetir.
  • Habilite a repetição automática apenas onde a condição acima se verifica.

Estado do caso

O caso interrompido precisa saber onde parou. Sem estado registrado, a retomada reinicia do começo e reprocessa o que já custou tempo e chamada.

  • Registre a etapa concluída e o resultado que ela entregou.
  • Retome do ponto seguinte, e não do início do fluxo.
  • Declare o prazo depois do qual o caso interrompido vai para a fila humana.
Bloco 3 · Execução

Otimização de tempo e custo do sistema

Cada agente acrescenta uma chamada. O desenho decide quantas são necessárias e quais podem ocorrer ao mesmo tempo.

Reduzir chamadas

  • Rota curta para o caso simples e frequente, com revisão apenas por amostragem.
  • Regra determinística no lugar de decisão do modelo onde a regra é suficiente.
  • Reaproveitamento de resultado já apurado para o mesmo caso.
  • Encerramento antecipado quando a evidência necessária não existe.

Reduzir tempo

  • Execução em paralelo das etapas sem dependência entre si.
  • Modelo dimensionado ao papel — extração estruturada e redação de parecer não exigem a mesma capacidade.
  • Contexto restrito ao que a etapa precisa, em vez do histórico completo.
  • Orçamento por caso, com resultado parcial declarado ao ser atingido.
Ordem de otimização: primeiro estabeleça a qualidade medida, depois reduza custo. Otimizar antes de medir produz um sistema barato cuja taxa de erro é desconhecida. Em contexto assistencial, o custo do erro não é comparável ao custo da chamada.
Bloco 3 · Aplicação · 11:43 – 11:57

Desenhe o roteamento do seu fluxo

Quatorze minutos sobre os papéis que você declarou antes do intervalo.

1

Liste as decisões de caminho · 4 min

Todo ponto em que o fluxo pode seguir por mais de uma direção, com a condição que separa as direções.

2

Separe regra de julgamento · 4 min

O que se decide por condição escrita fica em código. Ao modelo resta o que exige interpretação de texto.

3

Escreva a condição de encerramento sem resposta · 3 min

Quando a evidência necessária não está acessível, o caso encerra com motivo declarado e destino definido.

4

Defina limites de tempo e de tentativa · 3 min

Prazo por etapa, número de tentativas e quem recebe o caso ao esgotá-las.

11:57 · Devolutiva. Uma ou duas leituras da condição de encerramento sem resposta. É a regra que impede o sistema de produzir conclusão sobre evidência que não conseguiu obter.
Bloco 4 · 12:00 – 13:00

Arquitetura e Base de Conhecimento do Agente

O substrato que os três blocos anteriores pressupõem: o conteúdo que o agente consulta, como ele é recuperado e o que torna a resposta conferível por quem decide.

Horário
Exposição até 12:35 · inventário até 12:55
Ao final
Inventário da base do próprio projeto
Bloco 4 · Estado do dado · 12:00

A base de conhecimento antes do primeiro agente

Qualidade e estrutura dos dados é a dificuldade mais citada nesta turma. O estado em que o dado se encontra decide qual etapa é automatizável.

Estado do dado Como aparece nos projetos O que exige antes de virar entrada Etapa que o resolve
Disperso O documento existe, e a localização não é conhecida. Inventário por origem, com endereço e responsável declarados. Coleta com registro de procedência.
Sem texto Contrato digitalizado como imagem. Reconhecimento de texto, com conferência por amostra. Extração para campo estruturado.
Não estruturado Horário e motivo registrados em conversa ou em campo livre. Esquema de saída declarado antes da extração. Extração com citação da mensagem de origem.
Volumoso Base histórica extensa, hoje consultada por inteiro. Recorte por caso e recuperação por endereço. Busca dirigida em lugar de leitura integral.
Três propriedades tornam a base utilizável por um sistema multiagente: recuperabilidade com endereço, para que a afirmação derivada dela seja conferível; escopo por papel, para que cada agente alcance apenas o que a sua etapa exige; e atualização com procedência, para que a decisão humana sobre caso ambíguo passe a valer como critério consultável nos casos seguintes.
Bloco 4 · Curadoria

O que entra na base, e o que fica de fora por decisão

Base construída por acumulação responde com o que encontra primeiro. A curadoria é o que separa conteúdo vigente de conteúdo apenas existente.

Fontes elegíveis

  • Norma e política interna vigentes.
  • Contrato e tabela de preço em vigor.
  • Procedimento operacional publicado.
  • Histórico de decisão sobre caso ambíguo, com a justificativa registrada.

Critérios de admissão

  • Vigência — o documento vale hoje, e a data de validade está declarada.
  • Autoridade — existe área responsável pelo conteúdo.
  • Granularidade — o trecho recuperado responde sozinho a uma pergunta.
  • Permissão — quem pode ler o trecho está definido antes da ingestão.

Fica de fora

  • Rascunho e versão superada que ninguém retirou de circulação.
  • Cópia sem procedência, cuja origem não pode ser reconstruída.
  • Dado pessoal que a etapa não exige para concluir.
  • Conteúdo sem dono: ninguém responde por atualizá-lo.
Fora do escopo desta discussão: plataforma, licença e ferramenta. O treinamento se dá no ambiente Microsoft homologado pela Rede D'Or, e essa é uma decisão da instituição. O que se decide aqui é o desenho — que conteúdo entra, com que recorte, sob que permissão e com que responsável.
Bloco 4 · Ingestão e recuperação

Do documento ao trecho recuperável por endereço

Quatro passos entre o arquivo que existe hoje e o trecho que o agente consegue citar.

Passo 1

Inventário com procedência

Cada fonte com endereço, formato, dono e data da última revisão. O inventário precede qualquer carga.

→
Passo 2

Conversão e limpeza

Imagem vira texto, com conferência por amostra. Cabeçalho repetido e rodapé saem do corpo do conteúdo.

→
Passo 3

Recorte com metadados

O recorte segue a unidade de sentido — cláusula, item da tabela, procedimento — e carrega origem, versão e permissão.

→
Passo 4

Recuperação dirigida

A consulta filtra por permissão e por vigência antes de ordenar por semelhança, e devolve o endereço junto do trecho.

Por que o recorte por unidade de sentido

Recorte por tamanho fixo parte a cláusula ao meio: metade da regra é recuperada e a condição que a limita fica no trecho seguinte. A resposta soa completa e está errada.

Bloco 4 · Rastreabilidade

Toda afirmação devolve o endereço de onde saiu

A citação é o que permite à pessoa responsável conferir em segundos, em vez de refazer o trabalho do agente.

Sem procedência

“O item não é coberto pelo contrato e deve ser glosado.”

  • Quem confere precisa localizar a cláusula por conta própria.
  • Erro e acerto são indistinguíveis sem refazer a consulta.
  • Divergência entre duas execuções não tem como ser explicada.
Com endereço

“Item não coberto — Contrato 4.812, cláusula 7.3, versão de 12/03/2026, trecho recuperado abaixo.”

  • A conferência se resume a abrir a cláusula citada.
  • Cláusula revista muda a resposta e a mudança fica visível.
  • A auditoria posterior reconstrói o caminho da decisão.

O que registrar a cada resposta

Pergunta recebida · trechos recuperados com endereço · versão da base consultada · resposta produzida · quem consultou e quando · decisão humana que se seguiu. É esse registro que sustenta a auditoria e alimenta a revisão da própria base.

Bloco 4 · Ciclo de vida

Atualização, versionamento e dono da base

O conteúdo desatualizado produz resposta plausível apoiada em regra já revogada, sem sinalizar falha alguma.

Prática O que declarar O que ela evita
Dono por domínio A área que responde pelo conteúdo de cada fonte, nominalmente. Conteúdo que ninguém revisa porque a responsabilidade nunca foi atribuída.
Cadência de revisão De quanto em quanto tempo cada fonte é reconferida, e o que dispara revisão fora do prazo. Tabela de preço vencida respondendo como se estivesse em vigor.
Versionamento A versão vigente na data, preservando a anterior enquanto houver caso apoiado nela. Reabrir um caso decidido e não conseguir reconstruir a regra que valia.
Retorno da decisão O caso ambíguo decidido pela pessoa volta à base como critério consultável, com a justificativa. A mesma dúvida escalando à pessoa responsável indefinidamente.
Bloco 4 · Aplicação · 12:35 – 12:55

Inventário da base do seu projeto

Vinte minutos preenchendo, para a etapa que você escolheu no Bloco 1, a tabela abaixo.

Fonte que a etapa consulta Onde está hoje Formato Dono Estado e o que falta antes de virar entrada
     
     
     

Roteiro

  • 7 min — liste as fontes que a etapa consulta, uma por linha, e localize cada uma.
  • 7 min — classifique o estado pelo quadro de 12:00 e escreva o que falta em cada caso.
  • 6 min — aponte a fonte sem dono declarado e escreva quem deveria respondê-la.
Fechamento · 12:55

Checklist antes de escrever o primeiro agente

Doze verificações que decidem se a arquitetura vai se sustentar quando o volume de casos crescer.

Decomposição

  • O gargalo foi medido em espera, retrabalho e volume.
  • Cada etapa tem entrada, saída e critério de aceite escritos.
  • A topologia escolhida é a mais restrita que resolve o caso.

Papéis e comunicação

  • Cada papel declara o que entrega, o que alcança e o que lhe é vedado.
  • As mensagens seguem esquema validado na entrada de cada agente.
  • Há limite de iterações e destino definido ao atingi-lo.

Orquestração

  • O roteamento determinístico está em código, e o modelo decide só o que exige julgamento.
  • Existe conjunto de casos com resposta conhecida antes da operação.
  • A precedência entre objetivos em conflito está declarada.

Base de conhecimento

  • Toda fonte que a etapa consulta tem endereço, formato e dono declarados.
  • A resposta devolve o trecho de origem, e a ausência de trecho é declarada como ausência.
  • Cada fonte tem periodicidade de revisão e responsável por executá-la.

Sobre este encontro

Arquitetura e Base de Conhecimento do Agente · Prof. Afonso

Objetivo de aprendizagem

Ao final do encontro, o participante deve ser capaz de decompor um processo corporativo em agentes especializados, declarar o papel e o contrato de comunicação de cada um, desenhar a política de roteamento que orquestra a execução do conjunto e inventariar a base de conhecimento que os alimenta, apontando o que nela já serve de evidência citável e o que precisa ser construído antes do primeiro agente.

Estratégia do encontro

Treinamento de uma manhã em quatro blocos, aberto pelo retrato dos treze projetos da turma. Cada bloco alterna exposição dialogada e aplicação ao projeto que o participante declarou no diagnóstico prévio: a exposição estabelece o critério de decisão e a aplicação o exercita sobre o caso próprio, com duas ou três devolutivas em voz alta ao final. Os exemplos usam os casos declarados — auditoria de conta em Recebíveis e giro de leitos em Operações. O material de apoio detalha as tabelas de critério, o contrato de mensagem, os quatro roteiros de aplicação e o checklist de desenho.

Estrutura do encontro

  1. 08:30 – 09:00 · Welcome coffee.
  2. 09:00 – 10:00 · Bloco 1 — Decomposição de problemas e arquiteturas multiagentes: retrato dos projetos, limite do agente único, critério de transição, topologias, gargalos e divisão modular; aplicação ao próprio projeto (15 min).
  3. 10:00 – 11:00 · Bloco 2 — Especialização de papéis e comunicação inter-agentes: personas restritas, contrato de mensagem, memória, aceite do handoff e contenção de loops; aplicação (20 min).
  4. 11:00 – 11:15 · Intervalo.
  5. 11:15 – 12:00 · Bloco 3 — Roteamento e orquestração: lógica do orquestrador, saídas parciais, arbitragem, falha e retomada, tempo e custo; aplicação (14 min).
  6. 12:00 – 13:00 · Bloco 4 — Arquitetura e base de conhecimento: estado do dado, curadoria, ingestão e recuperação, citação, atualização e dono; inventário da própria base (20 min) e checklist.