Rede D'Or São Luiz · Inteli · 08:30 – 13:00
Como decompor um processo corporativo em agentes especializados, definir o que cada um pode fazer, orquestrar a execução do conjunto e construir a base de conhecimento que os alimenta.
Diagnóstico respondido pelos participantes entre 20 e 25 de agosto de 2026.
Cada participante apontou até três dificuldades principais; a contagem soma as menções das treze respostas.
Cada bloco estabelece um critério de decisão e reserva os minutos finais para você aplicá-lo ao projeto que declarou no diagnóstico.
A causa está no acúmulo de responsabilidades sobre um único ponto de decisão.
O prompt cresce para cobrir todos os casos. Regras novas passam a contradizer regras antigas, e o comportamento fica sensível à ordem em que as instruções aparecem.
Todo o histórico compete pelo mesmo espaço: dados de entrada, resultados intermediários e regras de negócio. O que importa para a etapa atual fica diluído.
Quando a saída está errada, não há etapa a que atribuir a falha. Sem fronteira entre tarefas, não existe ponto de verificação — só o resultado final.
Fragmentar um desafio corporativo em subprocessos especializados e atribuir responsabilidades a agentes que trabalham em rede.
A divisão tem custo: mais chamadas, mais latência, mais superfície de erro. Ela se justifica quando pelo menos um destes sinais aparece.
A topologia decide quem fala com quem, e com isso decide onde é possível verificar e onde a falha se propaga.
O agente entra onde o processo hoje espera, retrabalha ou depende de uma pessoa para interpretar. Percorra o fluxo real antes de desenhar a arquitetura.
Entrada, decisão e saída de cada etapa, com quem executa e em que sistema. O fluxo documentado e o fluxo praticado divergem; o levantamento registra o praticado.
Tempo em fila, proporção de casos que voltam para correção e quantidade de casos por dia. Sem essas três medidas não há como priorizar.
Regra determinística, julgamento sobre texto ou consulta a várias fontes. A primeira não precisa de agente; as outras duas são candidatas.
Uma etapa só é automatizável se o dado necessário existir em forma consultável e se houver como conferir o resultado.
Recebíveis. A auditoria de uma conta espera pela reunião de evidências: prontuário, tabela contratual e protocolo residem em sistemas distintos. É consulta a várias fontes com resultado verificável, candidata ao primeiro agente.
Operações. Os horários e os motivos de atraso do giro de leitos são lidos à mão em conversa de grupo e transcritos para planilha. É extração de texto não estruturado, conferível contra a mensagem de origem.
A decisão de glosar e a de liberar um leito permanecem com a pessoa responsável. O agente instrui a decisão e não a substitui.
Casos declarados no diagnóstico, para discussão em salaUma tarefa é modular quando pode ser executada, verificada e substituída sem alterar as vizinhas.
Reúne os documentos do caso e registra a origem de cada um.
Converte o texto em campos estruturados, com a citação de onde cada campo saiu.
Compara os campos com a regra aplicável e aponta as divergências.
Produz o parecer com a divergência, a evidência e a regra citada.
O caso de auditoria declarado nesta turma, decomposto pelos critérios das telas anteriores.
Localiza prontuário, tabela contratual e protocolo do caso, e entrega os três com o endereço de origem.
Converte a conta em lista de itens cobrados, com código, quantidade e valor unitário.
Compara cada item com a tabela contratual e com o registro clínico correspondente.
Consolida a proposta de glosa e o texto que a justifica, item a item.
Das quatro etapas, apenas a terceira exige julgamento. As demais são recuperação, conversão e redação — e cada uma passa a ser medida em separado.
A decisão de glosar permanece com o auditor: o sistema entrega a classificação com a evidência citada, e a pessoa decide.
Quinze minutos sobre o caso que você declarou no diagnóstico, com o roteiro impresso na mesa.
Entrada, decisão e saída de cada etapa, com quem executa e em que sistema. Registre o praticado, não o documentado.
Tempo em fila, proporção de casos que voltam e casos por dia. Estimativa declarada como estimativa já serve.
Regra determinística, julgamento sobre texto ou consulta a várias fontes. A primeira não precisa de agente.
A mais restrita que resolve o caso, com a razão da escolha em uma linha.
Você sai deste bloco com:
Etapa sem critério de aceite escrito permanece um trecho de instrução dentro de outro agente.
Definir perfis específicos para cada agente e estruturar os protocolos de troca de dados entre eles.
Um papel se define pelo que o agente entrega, pelas ferramentas que alcança e, sobretudo, pelo que lhe é vedado.
Texto livre entre agentes transfere ambiguidade. Um contrato explícito permite validar a mensagem antes de processá-la.
// contrato de mensagem — pesquisador → analista { "emissor": "pesquisador", "destinatario": "analista", "tarefa": "confrontar_item_com_regra", "caso_id": "2026-0917-4471", "carga": { "item": "material de síntese X", "quantidade_cobrada": 4, "regra_aplicavel": "tabela contratual §12.3" }, "evidencia": [ { "fonte": "prontuario/2026-0917", "local": "p. 14" }, { "fonte": "contrato/2025-v3", "local": "§12.3" } ], "confianca": 0.82, "pendencias": ["protocolo clínico não localizado"], "rastro": { "etapa": 2, "tentativa": 1 } }
Passar todo o histórico adiante reintroduz, entre agentes, o problema de contexto que a divisão veio resolver.
| Tipo | O que guarda | Quem alcança | Consequência de não separar |
|---|---|---|---|
| Do caso | Identificador, entradas e decisões já tomadas neste atendimento. | Todos os agentes da execução, em leitura. | Sem ele, a etapa seguinte repete a pergunta que já foi respondida. |
| Da tarefa | Rascunhos e passos intermediários da etapa corrente. | Apenas o agente que a executa. | Vazando adiante, o raciocínio descartado volta como se fosse conclusão. |
| De conhecimento | Norma, contrato, procedimento e histórico de decisão. | Recuperação por endereço, filtrada por papel. | Copiada para o contexto por inteiro, dilui o que a etapa exige. |
| De registro | O que cada agente recebeu, devolveu e em quanto tempo. | Fora da execução: auditoria e revisão. | Sem ele, a falha é constatada e não é atribuída a etapa alguma. |
O handoff é a fronteira onde a qualidade pode ser medida. Sem critério declarado, o erro de uma etapa vira premissa da seguinte.
| Handoff | Aceita quando | Devolve quando | Verificação |
|---|---|---|---|
| Coletor → Pesquisador | Todos os documentos exigidos pelo tipo de caso estão presentes e legíveis. | Falta documento obrigatório ou a origem não é identificável. | Lista de documentos por tipo de caso. |
| Pesquisador → Analista | Cada trecho traz fonte e localização, e cobre a pergunta feita. | Há afirmação sem fonte ou a pergunta ficou sem cobertura. | Toda afirmação tem evidência associada. |
| Analista → Revisor | A conclusão cita a regra e os trechos que a sustentam. | A conclusão extrapola a evidência recebida. | Conclusão derivável apenas do que foi entregue. |
| Revisor → Saída | As correções foram aplicadas e o parecer está completo. | Persiste divergência entre analista e revisor. | Segunda leitura sobre o critério de aceite. |
Dois agentes que se corrigem mutuamente sem critério de parada consomem orçamento sem convergir.
Vinte minutos sobre a decomposição que você escreveu no bloco anterior.
Um por etapa da sua decomposição. Duas etapas com critérios de qualidade distintos exigem dois papéis separados.
O que entrega, que fontes e ferramentas alcança e o que lhe é vedado. O vedado é a parte que costuma faltar.
Campos obrigatórios, tipo de cada um e o campo que carrega a evidência. Escreva um exemplo preenchido.
Que condição faz a tarefa ser aceita, e para onde ela volta, com que motivo, quando não for.
Você sai deste bloco com:
Sem um exemplo preenchido, o campo ambíguo do contrato é interpretado de duas formas já no primeiro caso real.
Ao voltar, o roteiro do Bloco 3 parte da decomposição do Bloco 1 e dos papéis do Bloco 2: tenha as duas folhas à mão.
Ensinar o agente orquestrador a decidir dinamicamente qual agente acionar em cada etapa, avaliando o que já foi produzido.
O orquestrador deriva o próximo passo do estado do caso; a sequência de etapas permanece indefinida até a decisão de roteamento.
O que já foi apurado, o que está pendente e quais tentativas falharam. O estado é a entrada da decisão de roteamento.
Tipo, complexidade e criticidade determinam o caminho. Caso simples e frequente segue rota curta; caso crítico exige revisão e auditoria.
A pendência aponta o papel: falta evidência chama o pesquisador; falta conclusão chama o analista; conclusão sem verificação chama o revisor.
Sem o registro do motivo, o comportamento do sistema não é reconstruível, e a falha de roteamento não é corrigível.
Boa parte do roteamento é regra determinística: tipo de caso, valor, presença de documento obrigatório. Escreva essas regras como código.
Reserve a decisão do modelo para o que exige julgamento sobre texto, quando a pendência não é classificável por regra.
Regra é mais barata, mais rápida e testávelMedir apenas o resultado final impede localizar a etapa responsável. Cada handoff é uma oportunidade de medição.
Dois agentes competentes podem chegar a conclusões opostas sobre o mesmo caso. A arbitragem precisa ser decidida no desenho, não durante a execução.
A política de retomada é parte do desenho do roteamento, e não um ajuste posterior de operação.
Repetir uma etapa só é seguro quando executá-la duas vezes produz o mesmo efeito que executá-la uma. A etapa que apenas lê e conclui satisfaz a condição; a que grava, envia ou aprova, não.
O caso interrompido precisa saber onde parou. Sem estado registrado, a retomada reinicia do começo e reprocessa o que já custou tempo e chamada.
Cada agente acrescenta uma chamada. O desenho decide quantas são necessárias e quais podem ocorrer ao mesmo tempo.
Quatorze minutos sobre os papéis que você declarou antes do intervalo.
Todo ponto em que o fluxo pode seguir por mais de uma direção, com a condição que separa as direções.
O que se decide por condição escrita fica em código. Ao modelo resta o que exige interpretação de texto.
Quando a evidência necessária não está acessível, o caso encerra com motivo declarado e destino definido.
Prazo por etapa, número de tentativas e quem recebe o caso ao esgotá-las.
Você sai deste bloco com:
Sem condição de parada declarada, o caso difícil consome tentativas até o limite de tempo e não produz conclusão.
O substrato que os três blocos anteriores pressupõem: o conteúdo que o agente consulta, como ele é recuperado e o que torna a resposta conferível por quem decide.
Qualidade e estrutura dos dados é a dificuldade mais citada nesta turma. O estado em que o dado se encontra decide qual etapa é automatizável.
| Estado do dado | Como aparece nos projetos | O que exige antes de virar entrada | Etapa que o resolve |
|---|---|---|---|
| Disperso | O documento existe, e a localização não é conhecida. | Inventário por origem, com endereço e responsável declarados. | Coleta com registro de procedência. |
| Sem texto | Contrato digitalizado como imagem. | Reconhecimento de texto, com conferência por amostra. | Extração para campo estruturado. |
| Não estruturado | Horário e motivo registrados em conversa ou em campo livre. | Esquema de saída declarado antes da extração. | Extração com citação da mensagem de origem. |
| Volumoso | Base histórica extensa, hoje consultada por inteiro. | Recorte por caso e recuperação por endereço. | Busca dirigida em lugar de leitura integral. |
Base construída por acumulação responde com o que encontra primeiro. A curadoria é o que separa conteúdo vigente de conteúdo apenas existente.
Quatro passos entre o arquivo que existe hoje e o trecho que o agente consegue citar.
Cada fonte com endereço, formato, dono e data da última revisão. O inventário precede qualquer carga.
Imagem vira texto, com conferência por amostra. Cabeçalho repetido e rodapé saem do corpo do conteúdo.
O recorte segue a unidade de sentido — cláusula, item da tabela, procedimento — e carrega origem, versão e permissão.
A consulta filtra por permissão e por vigência antes de ordenar por semelhança, e devolve o endereço junto do trecho.
Recorte por tamanho fixo parte a cláusula ao meio: metade da regra é recuperada e a condição que a limita fica no trecho seguinte. A resposta soa completa e está errada.
Monte de vinte a trinta perguntas com resposta conhecida e meça quantas a recuperação atende com o trecho correto. Sem essa medida, não há como afirmar que a base melhorou depois de uma alteração.
A citação é o que permite à pessoa responsável conferir em segundos, em vez de refazer o trabalho do agente.
“O item não é coberto pelo contrato e deve ser glosado.”
“Item não coberto — Contrato 4.812, cláusula 7.3, versão de 12/03/2026, trecho recuperado abaixo.”
Pergunta recebida · trechos recuperados com endereço · versão da base consultada · resposta produzida · quem consultou e quando · decisão humana que se seguiu. É esse registro que sustenta a auditoria e alimenta a revisão da própria base.
O conteúdo desatualizado produz resposta plausível apoiada em regra já revogada, sem sinalizar falha alguma.
| Prática | O que declarar | O que ela evita |
|---|---|---|
| Dono por domínio | A área que responde pelo conteúdo de cada fonte, nominalmente. | Conteúdo que ninguém revisa porque a responsabilidade nunca foi atribuída. |
| Cadência de revisão | De quanto em quanto tempo cada fonte é reconferida, e o que dispara revisão fora do prazo. | Tabela de preço vencida respondendo como se estivesse em vigor. |
| Versionamento | A versão vigente na data, preservando a anterior enquanto houver caso apoiado nela. | Reabrir um caso decidido e não conseguir reconstruir a regra que valia. |
| Retorno da decisão | O caso ambíguo decidido pela pessoa volta à base como critério consultável, com a justificativa. | A mesma dúvida escalando à pessoa responsável indefinidamente. |
Vinte minutos preenchendo, para a etapa que você escolheu no Bloco 1, a tabela abaixo.
| Fonte que a etapa consulta | Onde está hoje | Formato | Dono | Estado e o que falta antes de virar entrada |
|---|---|---|---|---|
A etapa escolhida no Bloco 1 só é executável quando toda linha da tabela tem endereço, dono e estado declarados.
Linha sem dono é a primeira conversa a marcar na volta — antes de qualquer escrita de agente.
Doze verificações que decidem se a arquitetura vai se sustentar quando o volume de casos crescer.
Arquitetura e Base de Conhecimento do Agente · Prof. Afonso
Ao final do encontro, o participante deve ser capaz de decompor um processo corporativo em agentes especializados, declarar o papel e o contrato de comunicação de cada um, desenhar a política de roteamento que orquestra a execução do conjunto e inventariar a base de conhecimento que os alimenta, apontando o que nela já serve de evidência citável e o que precisa ser construído antes do primeiro agente.
Treinamento de uma manhã em quatro blocos, aberto pelo retrato dos treze projetos da turma. Cada bloco alterna exposição dialogada e aplicação ao projeto que o participante declarou no diagnóstico prévio: a exposição estabelece o critério de decisão e a aplicação o exercita sobre o caso próprio, com duas ou três devolutivas em voz alta ao final. Os exemplos usam os casos declarados — auditoria de conta em Recebíveis e giro de leitos em Operações. O material de apoio detalha as tabelas de critério, o contrato de mensagem, os quatro roteiros de aplicação e o checklist de desenho.