Encontro de abertura do módulo no eixo de Computação. A aula estabelece o vocabulário com que o grupo descreverá, ao longo de todo o projeto, o comportamento exigido do sistema de gestão: o que é regra de negócio, como se enuncia, como se decide e onde se implementa.
O produto do encontro — catálogo inicial de regras e uma tabela de decisão do processo escolhido — é insumo direto da Aula 3 (gestão de configuração e escopo) e da Aula 4 (testes e cutover).
Identificação
Os horários indicados no cronograma seguem a grade padrão do turno da tarde. Confirme o horário da turma antes do encontro e ajuste as faixas proporcionalmente — as durações de cada bloco são o que importa para a condução.
Resumo
Em projetos de implantação de sistema de gestão, parte substancial do retrabalho decorre de critérios que ninguém escreveu: o limite a partir do qual uma compra exige aprovação de diretoria, a condição que impede o faturamento de um pedido, a fórmula que determina o limite de crédito. A aula converte esse conhecimento tácito em artefato verificável.
O encontro percorre quatro blocos. O primeiro fixa a definição de regra de negócio do Business Rules Group e a distingue de política, requisito e processo, apresentando a taxonomia em definições, derivações, restrições e regras de ação. O segundo trata da especificação: vocabulário controlado segundo a norma SBVR, modalidades do enunciado (obrigação, proibição, permissão, necessidade), critérios de qualidade e ficha de catálogo. O terceiro separa decisão de processo e introduz DMN, o diagrama de requisitos de decisão e a tabela de decisão com política de acionamento, completude e ausência de conflito. O quarto trata de governança: onde implementar a regra no ERP segundo o critério de menor acoplamento, ciclo de vida, propriedade, evidência de auditoria e antipadrões.
A cada bloco os grupos aplicam o conteúdo ao processo do parceiro. Ao final do encontro, cada grupo entrega o catálogo inicial de regras e uma tabela de decisão verificada.
Objetivos de aprendizagem
- OA-1Definir regra de negócio conforme o Business Rules Group e distinguir regra, política, requisito e processo em enunciados retirados do caso do parceiro.
- OA-2Classificar uma regra em definição de termo, derivação, restrição ou regra de ação, e associar cada categoria ao mecanismo de implementação correspondente no sistema de gestão.
- OA-3Enunciar regras na modalidade adequada — obrigação, proibição, permissão ou necessidade — empregando exclusivamente termos do vocabulário registrado.
- OA-4Avaliar um enunciado quanto a atomicidade, univocidade, verificabilidade e rastreabilidade, e registrá-lo em ficha de catálogo com identificador, origem, proprietário e vigência.
- OA-5Separar a decisão do fluxo do processo e modelá-la em tabela de decisão, declarando a política de acionamento e verificando completude e ausência de conflito, inclusive nos valores de fronteira.
- OA-6Justificar o ponto de implementação de cada regra no ERP — parametrização, fluxo de aprovação, motor de regras ou extensão em código — pelo critério de menor acoplamento capaz de satisfazê-la.
- OA-7Identificar, no processo em operação do parceiro, os antipadrões de regra enterrada no código, regra duplicada, regra contraditória e regra órfã.
Pré-requisitos
- Leitura integral do material da Aula 1, com atenção às seções 2 a 5 (definição, distinções, taxonomia e vocabulário).
- Termo de Abertura do Projeto Integrador (TAPI) lido, com o problema do parceiro identificado.
- Ao menos um processo do parceiro descrito em nível de atividade — ainda que informalmente, no caderno de bordo do grupo.
- Caderno de bordo do grupo aberto para registro do vocabulário e das regras levantadas durante o encontro.
- Acesso à conta SAP Learning, para os cursos standard indicados na página do módulo (não é pré-requisito da aula 1, mas deve estar providenciado até a Aula 3).
Grupo que ainda não tenha processo descrito conduz o encontro sobre o caso da distribuidora apresentado no material — aprovação de desconto em pedido de venda —, que percorre toda a aula. A troca para o processo do parceiro é feita no trabalho posterior.
Cronograma do dia
📚 Bloco 1 · Autoestudo
10h00 — 12h00Estudo individual orientado pelo material da Aula 1.
- Ler o material da aula, com destaque para a ficha de catálogo (seção 8) e a tabela de decisão (seção 10).
- Registrar no caderno de bordo cinco termos do domínio do parceiro que hoje são empregados com sentidos diferentes por áreas diferentes.
- Anotar um critério de decisão do processo do parceiro que ninguém do grupo encontrou escrito em documento algum.
🍴 Intervalo · Almoço
12h00 — 14h00Janela livre.
🎓 Bloco 2 · Instrução — Encontro com o professor
14h00 — 16h30Encontro síncrono em metodologia ativa. Quatro blocos de conteúdo, cada um seguido de aplicação imediata ao caso do parceiro. Detalhamento na seção seguinte.
🛠️ Bloco 3 · Desenvolvimento do projeto
16h30 — 18h00Janela de trabalho da equipe.
- Consolidar o catálogo de regras produzido em aula, completando origem e área proprietária de cada enunciado.
- Levar ao parceiro as indefinições identificadas — critérios sem dono declarado ou com interpretações divergentes.
- Registrar o catálogo no repositório do grupo, versionado junto da documentação do projeto.
Detalhamento da instrução (14h00 — 16h30)
14h15
Abertura do módulo e do encontro
Apresentação do módulo e do eixo de Computação. Cada grupo relata em um minuto: um critério de decisão do processo do parceiro que não encontrou escrito. Os relatos são registrados no quadro e retomados ao longo da aula.
14h35
Bloco 1 · Fundamentos — definição e distinções
O problema da regra implícita e suas consequências na implantação. Definição do Business Rules Group. Distinção entre política, regra, requisito e processo, com os exemplos do material. Princípios do Business Rules Manifesto: a regra é artefato próprio, pertence ao negócio, é declarativa e se apoia em vocabulário.
14h45
Classificação dos relatos da abertura
Cada grupo classifica o critério que trouxe na abertura: é política, regra, requisito ou processo? Em seguida, enquadra-o na taxonomia — definição, derivação, restrição ou regra de ação — e antecipa o mecanismo de implementação correspondente.
15h05
Bloco 2 · Especificação — vocabulário e enunciado
Vocabulário controlado segundo a SBVR: termo, nome e fato. Modalidades do enunciado e suas fórmulas fixas. Critérios de qualidade: atomicidade, univocidade, verificabilidade e rastreabilidade. Ficha de catálogo e função do identificador na auditoria e no teste de aceitação.
15h15
Primeiros enunciados e revisão cruzada
Cada grupo registra o vocabulário do seu processo e enuncia duas regras na modalidade adequada. Os enunciados são trocados entre grupos vizinhos, que verificam atomicidade e univocidade e devolvem a crítica. A troca antecede a exposição seguinte.
15h35
Bloco 3 · Decisão — DMN e tabela de decisão
Separação entre processo e decisão, e o custo de dissolver o critério no fluxo. Diagrama de requisitos de decisão: decisões, dados de entrada e fontes de conhecimento. Passo a passo de construção da tabela de decisão, política de acionamento, completude e ausência de conflito. Percurso do caso da distribuidora — aprovação de desconto em pedido de venda.
15h50
Tabela de decisão do processo do parceiro
Cada grupo modela uma decisão do próprio processo em tabela, declarando a política de acionamento. Verificação obrigatória em sala: a tabela é completa? Há combinação que satisfaz duas linhas com saídas distintas? Os valores de fronteira estão declarados?
16h10
Bloco 4 · Governança — implementação, ciclo de vida e antipadrões
As quatro alternativas de implementação no ERP em ordem de acoplamento crescente: parametrização, fluxo de aprovação, motor de regras e extensão em código, com o efeito de cada uma sobre a atualização de versão. Ciclo de vida da regra, propriedade e evidência de auditoria. Os quatro antipadrões e como identificá-los no processo em operação.
16h20
Fechamento do catálogo
Cada grupo completa a ficha das regras enunciadas — origem, área proprietária e ponto de implementação pretendido, com a alternativa descartada. O catálogo é entregue ao final desta faixa.
16h30
Síntese e encaminhamento
Retomada dos relatos da abertura: quais critérios estavam escritos em algum documento da organização e quais residiam apenas na prática de quem executa. Encaminhamento para a Aula 2 e para a conversa com o parceiro sobre as indefinições levantadas.
Estratégias de metodologia ativa
- Elicitação sobre caso real — o insumo da aula é o processo do parceiro, trazido pelos próprios grupos na abertura. O conteúdo é aplicado a um problema que o grupo já possui, não a um exemplo genérico.
- Revisão cruzada de enunciados — os grupos verificam os enunciados uns dos outros quanto a atomicidade e univocidade. Ambiguidade que passa despercebida por quem escreveu aparece para quem lê pela primeira vez, que é exatamente a situação de quem vai configurar o sistema.
- Verificação formal da tabela — completude e ausência de conflito são checadas em sala, com atenção aos valores de fronteira. A tabela é aceita ou devolvida por critério objetivo, não por impressão.
- Decisão de implementação justificada — para cada regra, o grupo declara onde implementar e qual alternativa descartou. O registro da alternativa descartada é o que permite reavaliar a escolha quando o negócio mudar.
- Artefato acumulativo — o catálogo produzido não se encerra na aula: é o documento que as aulas seguintes consomem e ampliam.
A pergunta que organiza o encontro é: onde está escrito o critério que o sistema vai aplicar? Regra que existe apenas na prática de quem executa não é configurável de forma sustentável nem auditável.
Recursos e ferramentas
| Categoria | Recurso | Uso |
|---|---|---|
| Slides | slides/slide-lesson-1.html | Condução da instrução (20 telas) |
| Material | materials/lesson-1-material.html | Autoestudo e consulta durante a aplicação |
| Caso de projeto | TAPI | Origem do processo sobre o qual as regras são levantadas |
| Notação de decisão | DMN — Decision Model and Notation (OMG) | Diagrama de requisitos de decisão e tabelas de decisão |
| Notação de vocabulário | SBVR (OMG) | Termo, nome e fato; base dos enunciados |
| Notação de processo | BPMN 2.0 (OMG) | Representação do fluxo que invoca a decisão |
| Registro do catálogo | Planilha ou documento versionado no repositório do grupo | Ficha de cada regra: identificador, enunciado, categoria, origem, responsável, implementação e vigência |
| Plataforma-alvo | SAP Cloud ERP — cursos standard na página do módulo | Referência das alternativas de parametrização e extensão |
Verificação de aprendizagem
O encontro não possui atividade ponderada. A verificação é formativa e recai sobre o artefato produzido em sala, entregue ao final do bloco de consolidação.
- CR-1Vocabulário registrado. O grupo apresenta os termos do processo com definição acordada. Nenhum enunciado emprega termo ausente dessa lista.
- CR-2Cinco enunciados atômicos. No mínimo cinco regras, cada uma com uma única obrigação, na modalidade adequada e com identificador estável. Enunciado com "e também" ou "exceto quando" é devolvido para decomposição.
- CR-3Classificação correta. Cada regra classificada em definição, derivação, restrição ou regra de ação, coerente com o efeito que produz.
- CR-4Tabela de decisão verificada. Uma decisão modelada em tabela, com política de acionamento declarada, completa e sem conflito, com os valores de fronteira explícitos.
- CR-5Rastreabilidade. Cada regra declara origem (política, contrato, exigência legal ou decisão de gestão) e área proprietária.
- CR-6Decisão de implementação justificada. Para cada regra, o ponto de implementação no ERP e a alternativa descartada, com a consequência assumida.
O grupo consegue apontar, para qualquer regra do seu catálogo, quem responde por ela e como se verificaria, em uma instância concreta do processo, se ela foi cumprida ou violada.
Conexão com a aula 2
A Aula 2 — Análise e Carga de Dados (18/08/2026) trata da importação, manipulação e análise de dados de planilhas. A ligação é direta: as regras de derivação catalogadas hoje — as que calculam um valor a partir de outros — são exatamente as que serão verificadas contra os dados reais do parceiro. Uma derivação enunciada sem que os dados necessários existam na base é uma regra não implementável, e essa checagem é feita na aula seguinte.
Mais adiante, o catálogo alimenta a Aula 3 (gestão de configuração e escopo), quando cada regra recebe o objeto de configuração que a materializa, e a Aula 4 (testes e cutover), quando cada regra vira cenário de teste de aceitação identificado pelo código do catálogo.
Bibliografia
- Business Rules Group — Defining Business Rules: What Are They Really? Relatório final, 2000.
- Business Rules Group — The Business Rules Manifesto, 2003.
- OMG — Semantics of Business Vocabulary and Business Rules (SBVR).
- OMG — Decision Model and Notation (DMN).
- OMG — Business Process Model and Notation (BPMN 2.0).
- IIBA — A Guide to the Business Analysis Body of Knowledge (BABOK Guide), análise de regras de negócio.
- von Halle, B. — Business Rules Applied. Wiley, 2001.
- Ross, R. — Business Rule Concepts. Business Rule Solutions.
- Taylor, J. — Real-World Decision Modeling with DMN. Meghan-Kiffer Press, 2016.